
Dia 25 de abril. Primeira ida a uma ópera de câmara. Vimos a adaptação de El Matadero de E. Echeverría realizada por Marcelo Delgado (diretor) e Emilio García Wehbi (compositor) no Centro Cultural Ricardo Rojas (av. Corrientes). Dois protagonistas, uma bailarina (meio vaca, meio touro, meio homem, meio mulher) e coro com seis vozes. O texto originalmente sintetiza a disputa entre rosistas e unitários e a história do mito fundador da Argentina, do gaucho em oposição ao gringo, do bárbaro contra o civilizado. Montagem extremamente violenta, com direito a churrasquinho, muita poeira e velhinhas saindo no meio do espetáculo. Geniais os cantores principais, Pablo Travaglino (el Cajetilla) e sua incrível e inesperada voz de contra-tenor e Federico Figueroa (el Mazorquero) com sua voz bruta, de um rouco gritado, com cordas de violão partidas. O coro era de uma virtuosidade insuspeita: música feita com batidas no peito, de pé, de facas, de assobios e um e outro diapasão aqui e acolá para entradas malucas.