quinta-feira, 30 de abril de 2009

Aburrido


A duas quadras daqui está o Museo de Arte Popular José Hernández (Av. del Libertador 2373), numa casa bonita com jardim interno. A página da internet é também uma beleza. Traz informações sobre as suas diversas coleções de artesanato popular: em vidro, madeira, metal, etc. Bem diagramada, há mesmo informações bibliográficas. Pois bem, sem que nos dissem na entrada ou constasse qualquer indicação no site, quase todo o museu está fechado. Restaram quatro salas no fundo absolutamente sem graça. Um visitante não resistiu; escreveu no livro de visitas a palavra do título: aburrido, chato, entediante.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Manchetes


Hoje, durante a encenação de Titulares (la voz del Pueblo), ficamos esperando, junto com um dos personagens, Jorge Luis Borges, representado, aliás, como um idiota, alguma coisa inteligente. Peça de Bernardo Carey dirigida por José María Paolantonio para o Teatro Presidente Alvear (Corrientes, 1669). Queriam produzir um espetáculo – com momentos emocionantes estilo "teatro de revista", como o que antecede a apresentação de um mural de David Alfaro Siqueiros, Ejercicio plástico (acima, não segundo a peça) – e, no fim, tudo saiu mal, apesar dos aplausos e de alguns "bravos" corajosos. O enredo pretendia narrar a vida de Natalio Botana, diretor e criador do jornal Crítica, um dos primeiros periódicos verdadeiramente populares na Argentina.

Passeio em Palermo Soho


Subindo para além da Avenida Santa Fé, fica a parte de Palermo que chamam aqui Palermo Soho, com suas ruas mais traqüilas e arborizadas, casas antigas e grande variedade de restaurantes. Bom para um passeio de bicicleta ou para sair à noite. Durante o dia, mesmo numa quarta-feira, a sensação de sábado. Tudo deverá mudar - quiçá não mude - com os prédios que estão aos poucos substituindo as casas antigas. Na foto, que pode ser ampliada, a que está em laranja é de 1903. 

Casa de pães


Nos primeiros dias de instalação em Palermo, com suas largas avenidas e escala desafiadora - tudo que é três quadras parece seis - achamos  vários comércios para a sobrevivência do mês: lavanderias, supermercados, rotisserias, papelarias, bancos. Cada um com sua história. Na lavanderia, levamos um cesto de roupas que viraram dois, porque a moça resolveu separar roupas coloridas e brancas (o que não prevíamos). No banco, aguardamos quarentas minutos e muitas assinaturas para converter travelers. Na papelaria, não nos quiseram vender envelopes pois não tinham troco em moedas. 

Mas o que procurávamos desde o início eram padarias de verdade, isto é, com pães em vez da variedade de docinhos que os argentinos comem de manhã. Hausbrot é uma cadeia de padarias há vinte anos. Ufa. (A foto acima é deles)

terça-feira, 28 de abril de 2009

Argentinos bem brasileiros


Fomos também à Fundación Centro de Estudos Brasileiros (Esmeralda y Paraguay) ver estréia imperdível de Naza, quase um brasileiro, e seu pandeiro. Ele faz parte de um grupo chamado "Carinhosos da Virginia", ou seja, Virginia Lee, a entusiasmada professora de música. Por lá, além do ensino de pandeiro, tamborim, violão, cavaquinho, percussão, etc., ensinam português, fazem palestras, têm uma biblioteca. Davis nos mandará em breve um registro desse momento, mas algo parecido ao que vimos pode ser visto aqui. Há suspeição no que digo, mas os argentinos são de fato o máximo, muitíssimo entusiasmados com essa nossa cultura que por vezes (e contraditoriamente) não sabe reconhecê-los.

ps. Finalmente, um trecho da animada apresentação está no link.

Museo de Arte Decorativo


Ontem passamos na frente do prédio pomposo da família Errázuriz, no caminho da inscrição na Biblioteca Nacional. Hoje, com um pouco mais de tempo, fomos lá para nos dividir com uma exposição estranha sobre telas em seda e sentidos esotéricos (cheia de senhoras de meia-idade). O Museo de Arte Decorativo, no entanto, é mais que isso. Atrás das telas, por vezes escondido um Greco como esse acima. No segundo andar do prédio, uma bela escultura de Zadkine, em meio a obras de Rodin, Carpeaux, Vernet, Taunay, tudo isso preservando parte do mobiliário familiar. Como se não bastasse, dia 6 começa uma exposição sobre a história da gravura. A ver.

Agenda provisória

28/04 Museo de Arte decorativo
29/04 Titulares (la voz del pueblo), peça de Bernado Carey: Corrientes 1669 (20h30)
30/04 Feira do livro
02/05 Visita guiada do Palacio del Gubierno (16h)  Los Siete Locos: Corrientes 1543 (22:00)
03/05 Museo de la Ciudad de Buenos Aires
07/05 Las Llaves del Abajo de Daniel Burman (Konex)
09/05 Les Luthiers: Gran Rex (21h)
12/05 Rake's progress de Stravinsky no Teatro Avenida
19/05 Joana d'Arc na fogueira, Honneger e Claudel: Teatro Coliseo

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O Assaltante


Passeio por San Telmo (revendo El Establo - Defensa, 1463, onde há dois anos comemos, Rix, Fefê, Pablo e eu, uma parrila inesquecível), também pelo entorno de Constitución, com muita gente, camelôs e prostituição. Nada grave, apenas fomos ao Arte Cinema (Salta con Brasil) ver El Asaltante (2007), filme de Pablo Fendrik. Conto o enredo, simples, e magistralmente filmado, com a câmera muito próxima de Arturo Goetz (acima). Um homem de meia idade assalta duas escolas (situação a que está submetido qualquer comércio na Argentina, com a economia informal e os pagamentos em dinheiro). O senhor pacato se revela diretor ou funcionário de uma escola. Dúvidas: o assalto é uma compulsão ou decorrência da situação econômica argentina? O assaltante trabalha para si ou alimenta, com o assalto a outras escolas, a sua própria? Vejam, vejam se possível e nos contem!

Vedettíssima


A idéia de ir a um "teatro de revista" em Buenos Aires era antiga. Passeando em Mar del Plata ou em Carlos Paz, há alguns anos, ficávamos assustados com a quantidade de gente na frente dessas espécies de Moulin Rouge. De todos os tipos: velhos, senhoras, jovens, casais. Um equivalente nos pareciam ser os tais besteiróis cariocas, sempre tão tolos. Mas os cartazes com suas mulheres e homens semi-vestidos prometiam mais.

Ontem fomos com Davis e Naza. Para ver Vedettísima, com uma das vedetes mais antigas da Argentina: a tal Carmen Barbieri, grande elenco, todos conhecidos-desconhecidos (María Eugenia Ritó, Silvina Luna, Matías Alé) e direção de Santiago Bal. Isso no teatro mais antigo de Buenos Aires, o Teatro Liceo (de 1872 ou algo assim), que vale a visita embora, como tudo, com uma bela aura decadente. Custou caro, $80.

Com os ingressos mais baratos, no último andar, me arrependo (porque estava vazio atrás de nós) de não ter levado câmera fotográfica. Talvez o blog aumentasse suas visitas. Sessões de meio striptease, pouco sensuais, mas sem constrangimento. Danças de um erotismo curioso diante da multiplicação de silicones. Tudo mesclado (ou será o contrário?) com esquetes de humor tipo A praça é nossa, ou stand-up CQC, além da presença de Carmen, vedetíssima, com suas homenagens ao pai ator, um discurso sobre a superação da carreira, luvas de box, mágicas. Inesquecível.

Las Heras


O parque é bonito, tem seis mini-campos de futebol invejáveis e concorridos até noite alta. Fica a duas quadras e corta o nosso caminho ao metrô Bulnes, nos dias em que não temos moedas para o ônibus. Durante a manhã, é lugar de encontro e banheiro de uma infinidade de cachorros. 

domingo, 26 de abril de 2009

Mataderos 3

Dia 25 de abril. Primeira ida a uma ópera de câmara. Vimos a adaptação de El Matadero de E. Echeverría realizada por Marcelo Delgado (diretor) e Emilio García Wehbi (compositor) no Centro Cultural Ricardo Rojas (av. Corrientes). Dois protagonistas, uma bailarina (meio vaca, meio touro, meio homem, meio mulher) e coro com seis vozes. O texto originalmente sintetiza a disputa entre rosistas e unitários e a história do mito fundador da Argentina, do gaucho em oposição ao gringo, do bárbaro contra o civilizado. Montagem extremamente violenta, com direito a churrasquinho, muita poeira e velhinhas saindo no meio do espetáculo. Geniais os cantores principais, Pablo Travaglino (el Cajetilla) e sua incrível e inesperada voz de contra-tenor e Federico Figueroa (el Mazorquero) com sua voz bruta, de um rouco gritado, com cordas de violão partidas. O coro era de uma virtuosidade insuspeita: música feita com batidas no peito, de pé, de facas, de assobios e um e outro diapasão aqui e acolá para entradas malucas.

Mataderos 2 (vídeos)

Mataderos 1


Depois de ontem (Livia descreverá a peça), nada como uma viagem de uma hora de ônibus para visitar a Feira de Mataderos, na periferia de Buenos Aires. Comidas típicas (choripan, queijos de cabras falsos, doces estranhos), roupas e objetos típicos (mil cumbucas diferentes para tomar mate), danças típicas. Com sol, cheio de gente e cheiro de parrilla. Estamos no clima. 

À foto acima, dos próprios visitantes (isso talvez nos pareça mais autêntico, podiam ser contratados pela prefeitura) juntarei alguns vídeos depois.

sábado, 25 de abril de 2009

Coronel Diaz e Cabello


Já estabelecidos em Buenos Aires, eis aqui o link do simpático apartamento da Avenida Coronel Diaz perto da calle Cabello. O esquema todo foi sugestão do Mineiro.

Logo em baixo, perto perto, a heladeria Una altra volta. Tão chique, com sorvetes ótimos. Hoje, ficaram sem graça de não trocar o nosso dinheiro (em Buenos Aires faltam moedas para o ônibus).

Macro, Rosário


Num fim de tarde, fomos ao Macro: Museu de arte contemporânea de Rosário, com Miriam. Está num prédio que foi um antigo depósito de grãos, que embora não tenham função museográfica, foram coloridos para a cenografia exterior do museo. O museu evidencia o abandono e a gradativa, e atual, recuperação da região próxima ao rio, em cuja margem a cidade se estabeleceu. Num dos andares, havia uma mostra de vários fotógrafos. Julio Pantoja, um deles, fez fotos do norte da Argentina preocupado com o crescimento destruidor das plantações de soja. Menos interessado pela paisagem do que pelas pessoas, fotografou cada família resistente contra um pano branco, sem esconder a encenação, os outros que seguram o pano, o recorte que faz da realidade. Como se fosse um anti-Sebastião Salgado, é menos dramático, mais verdadeiro.

A fonte das utopias


Pouco tempo em Rosário: de 21 a 24 de abril de 2009. Idas ao Encontro de literatura comparada, almoços invariáveis na sofisticada e concorrida La Caprese (c. Santa Fé). Estadia no barulhento hostel Avanti, ao qual não retornaremos - de jeito nenhum. Passeios aqui e ali nas ruas planas, longas, cheias de bicicletas, com suas mesclas de edifícios históricos, praças e prédios comuns. Num desses passeios, a fonte das utopias fotografada de longe e em sépia. Livia gostou. Fica em cima, como um exergo do blog temporário.