Ontem vimos a montagem do romance de Roberto Arlt chamado Los siete locos (1929) no moderníssimo Centro Cultural de la Cooperación (Corrientes, 1543). Estávamos desconfiados, não só por causa da experiência fadada de Titulares, mas porque o texto não foi originalmente escrito para a cena. A adaptação de Omar Aita é excelente: cenário mínimo, com uma ou outra cadeira, duas camas e luz, conservando a história que é percebida apenas através dos diálogos. Diálogos de loucos, aliás: Astrólogo (Julio Ordano), aparentemente o mais disparatado, que se revela aos poucos o ladrão que engana os outros; Ergueta (Marcelo Sánchez), um homem rico que, seguindo os caminhos do apóstolo Paulo, se desfez da fortuna e se casou com uma prostituta; Barsut (Darío Levy), apaixonado pela mulher de Erdosain, que denuncia o roubo deste na açucareira em que trabalham e, no fim, acaba tentando a vida de ator e o casamento com Greta Garbo; o Rufião Melancólico (Enrique Papatino), um cafetão, curioso para conhecer os planos de revolução projetados pelo Astrólogo e, finalmente, Remo Erdosain (Pablo Iemma), o personagem principal, inventor fracassado e angustiado, imaginando de todas as formas o modo como deve se tornar alguém. Trabalho magnífico e muito fiel ao texto, sarcástico apesar da possibilidade de redenção, denso e humorado, com ordens sociais e políticas estranhas, mas verossímeis.